Em defesa da Voz do Brasil
A Voz do Brasil, o mais antigo programa radiofônico do gênero no mundo,
completa 78 anos, no dia 22 de julho deste ano. O programa é um
importante e indispensável instrumento de informação para a imensa massa
de brasileiras e de brasileiros que vive no campo e na cidade, sem
acesso a jornais e revistas e que não dispõe de outra forma de saber com
transparência dos atos e realizações públicas.
Não
à toa pesquisa do Ibope sobre o perfil da audiência radiofônica em
nosso País aponta que um em cada três brasileiros ouve rotineiramente o
programa. Outra enquete indica que 73% dos entrevistados concordam com a
continuidade da veiculação da Voz do Brasil às 19h.
Sem
distorcer informações e fatos, a Voz do Brasil cumpre um dos mais
importantes papéis do jornalismo ao tratar igualmente as notícias dos
poderes públicos e não privilegiar nenhum segmento. Com isso, faz chegar
aos ouvintes a verdadeira e real informação.
Tais
características, evidentemente, não agradam a setores da grande mídia.
Motivados por interesses meramente econômicos, voltados apenas à
exploração comercial do horário nobre no qual é veiculada a Voz do
Brasil, muitos tentam enfraquecer o caráter democrático e transparente
do programa com propostas como a que tramita na Câmara dos Deputados, de
"flexibilização" do horário do programa. Uma forma disfarçada de
relegar a segundo plano a Voz do Brasil. Sou terminantemente contra este
projeto de lei!
No Senado, sou relatora de outro projeto de
lei que trata da Voz do Brasil: o que transforma o programa radiofônico
em Patrimônio Imaterial e Cultural do Povo Brasileiro. Ele tramita na
Comissão de Educação, Cultura e Esporte onde tem caráter terminativo, ou
seja, se aprovado, não passa no plenário, indo direto à Câmara dos
Deputados.
Em que pese o meu relatório se basear nos
argumentos contidos no parecer da assessoria técnica do Senado, que
aponta o Executivo como o único poder com competência técnica para
declarar a Voz do Brasil Patrimônio Cultural Imaterial, retirei a
matéria de pauta. O parecer técnico leva em conta o decreto presidencial
3.551 de 2000.
A razão para a retirada de pauta é que
considero essencial ouvir a respeito do assunto os mais amplos segmentos
da sociedade – sindicatos, movimentos sociais, órgãos governamentais,
entidades que lutam pela democratização da comunicação. Quero construir
coletivamente um parecer adequado aos anseios da maioria. Considero a
Voz do Brasil patrimônio da sociedade brasileira e, portanto,
fortalecê-la é tarefa de todas e todos que compreendem que o acesso à
comunicação é um dos pressupostos básicos para consolidação da
democracia. O meu total compromisso é com a nossa voz: a Voz do Brasil!
Ana Rita é senadora da República e preside a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado
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