quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Construção de 16 prédios no Vale do Sereno é questionada

Laudo do Ibama pode ajudar a determinar o futuro das edificações

NATÁLIA OLIVEIRA

A verticalização desenfreada na região entre os municípios de Belo Horizonte e Nova Lima, conhecida como Vale do Sereno, pode se agravar com a construção de um empreendimento com 480 apartamentos e 16 prédios. Os reflexos da obra, segundo especialistas, são a interferência negativa no ecossistema da área, as dificuldades com a infraestrutura e um trânsito ainda mais complicado no local.

O projeto está em processo de licenciamento na Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram). Os prédios terão 25 metros de altura, com cinco andares e pilotis.

De acordo com o conselheiro da Área de Proteção Ambiental (APA) Sul, Henrique Amorim, que também avalia o pedido de licenciamento, a área onde será construído o condomínio (veja mapa) abriga vegetação rara, animais selvagens e nascentes. "Parece que há um casal de onças que mora lá. E eu sei que há outros animais, como a jaguatirica".

A avaliação do pedido de licenciamento está suspensa na APA porque um laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foi solicitado. Em fevereiro, haverá uma nova votação para decidir o futuro do condomínio. O resultado será encaminhado à Supram. "Vamos nos basear na decisão da APA e na apresentação de todos os laudos com os impactos na região para aprovarmos ou não o empreendimento", explica a analista da Supram Juliana Brasileira.

Para o ambientalista Ricardo Motta, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), se for aprovada, a construção representará uma grande perda para a fauna e a flora da região. "A biodiversidade local é muito grande. O empreendimento vai afetar o lençol freático e comprometer a vida dos animais", diz.

Infraestrutura. Além do impacto ambiental, outra grande preocupação é a infraestrutura do Vale do Sereno. "Há de se pensar para onde irá o esgoto de toda essa gente. Nós sabemos que a região já está bem saturada", reclama o coordenador da Frente de Associações e Condomínios do Vetor Sul, Walmir Braga.

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) informou ontem, por meio da assessoria de imprensa, que irá assumir os serviços de saneamento básico e abastecimento da região. O esgoto seria encaminhado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vale do Sereno.
De acordo com Juliana Brasileira, estudos serão necessários para comprovar se a ETE vai comportar o esgoto. Além disso, faltam laudos sobre segurança, coleta de lixo e iluminação.

O dono do empreendimento, Cláudio Capanema Lopes Gouveia, foi procurado ontem, porém, não atendeu às ligações.
Previsão é haver mais caos no trânsito
A construção do empreendimento causará um impacto muito grande no tráfego da região, segundo especialistas e associações de moradores. Com os 480 apartamentos, mais mil veículos vão trafegar na região diariamente. "A MG-030 já tem uma carga muito grande de veículos. Com esse aumento, pode ser que ela não aguente o impacto", diz Ronaldo Gouvêa, especialista em trânsito e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O coordenador da Frente de Associações e Condomínios do Vetor Sul, Walmir Braga, afirma ainda que, além da rodovia, a região central de Nova Lima e as vias que dão acesso ao Vale do Sereno já estão saturadas. "Isso vai ficar ainda pior", opina.

Os prédios serão construídos na área de uma fazenda chamada Regalo, e não há vias para o acesso. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), o empreendedor é responsável pelas vias de acesso. Segundo a Supram, é necessário um estudo de impacto nas vias, que deve ser apresentado aos órgãos de trânsito de Nova Lima e de Belo Horizonte, já que a capital também será afetada. (NO)
 Fonte: O TEMPO

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