terça-feira, 11 de agosto de 2015

Move foi superestimado e não obtém resultados previstos

‘PRESENTE DE GREGO’

Além de fazer tarifa subir, sistema não reduziu tempo total de viagens e elevou custo





Quando o Move foi projetado e inaugurado em Belo Horizonte, a previsão anunciada pela prefeitura era atrair 700 mil usuários, reduzir o tempo das viagens e diminuir os custos do transporte coletivo. Pouco mais de um ano depois do início do sistema, somente 33% da população da capital usa o serviço – cerca de 500 mil pessoas –, a agilidade garantida nas pistas exclusivas é praticamente perdida quando os coletivos voltam para as pistas de trânsito misto e também com as baldeações, antes inexistentes, e o que as empresas do setor e o município alegam, até agora, é queda na arrecadação e aumento de custos. Para completar, quem paga a conta pelas metas não alcançadas são os passageiros, que já arcam com o terceiro aumento na tarifa desde maio de 2014.

O último reajuste (de R$ 3,10 para R$ 3,40) começou no sábado e é justificado, segundo a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), principalmente pela ampliação da integração tarifária motivada pelo Move. O discurso de redução de custos, usado antes da inauguração e possível em outras cidades onde há o sistema, mudou. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), Joel Jorge Paschoalin, admite que a projeção feita para o sistema em 2010 estava errada e diz agora que previa uma economia maior que a que de fato aconteceu.
O presidente do Setra não repassou um dado geral da economia gerada pelo sistema. Como exemplo, ele citou que o projeto de 2010 previa que, com a compra dos ônibus articulados e o ganho em produtividade, haveria uma redução de 172 ônibus comuns, mas a queda foi de 90. A BHTrans explica que a retirada dos veículos será feita paulatinamente.
Consequências. O planejamento errado, segundo estudiosos, transforma o serviço em um verdadeiro “presente de grego” para a população. “Hoje, temos as pistas segregadas, que deram grande incentivo para as empresas de ônibus, mas não trouxeram o conforto prometido ao usuário, só tornaram o serviço mais caro. Essa é a nossa tragédia”, avalia o economista e consultor do Instituto da Mobilidade Sustentável João Luiz Dias.

Fonte: O TEMPO

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