terça-feira, 13 de setembro de 2011

Governo estuda aumentar tempo que aluno fica na escola

13/09/2011 - 14h14
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Ministério da Educação e entidades do setor estudam aumentar o número de horas do aluno na escola. As possibilidades em análise são elevar a carga horária diária, que hoje é de 4 horas, ou ampliar o número de dias letivos, atualmente definido em 200 dias, informou o ministro Fernando Haddad.
Atualmente, a criança ou o adolescente devem ficar 800 horas por ano na sala de aula, carga considerada baixa quando comparada a de outros países, segundo Haddad.
“O aprendizado está relacionado à exposição ao conhecimento. Há um consenso no Brasil de que a criança tem pouca exposição ao conhecimento seja porque a carga horária diária é baixa ou porque o número de dias letivos é inferior ao de demais países”, disse o ministro, após participar da abertura do Congresso Internacional Educação: uma Agenda Urgente, promovido pelo movimento Todos Pela Educação.
Para manter o estudante mais tempo na escola, Haddad avalia antecipar a meta de ter metade das escolas públicas funcionando em regime integral, prevista para ser cumprida até 2020, ou até mesmo enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional. “Não vamos encaminhar projeto de lei antes de receber o aval daqueles que vão executar isso. A ideia é aumentar o número de horas por ano que a criança fica sob a responsabilidade da escola”, explicou.
O estudo está sendo feito em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).
O ministro reconhece que a medida exigirá mais recursos da pasta. Segundo ele, uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), em discussão no Congresso Nacional, é elevar para 7% do Produto Interno Bruto (PIB) os investimentos no setor. O novo PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir até 2020.

Edição: Lílian Beraldo

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-09-13/governo-estuda-aumentar-tempo-que-aluno-fica-na-escola

NaMariaNews: Alckmin gasta 9 milhões pela fidelidade da PIG

Alckmin: 9 milhões pela fidelidade da ‘Proba Imprensa Gloriosa”
E seu Barão assina os jornais e revistas para as Escolas Públicas

Do NaMariaNews
Interrompemos nossas saudáveis férias nas paradisíacas selvas de Bornéu para informar que a chuva é molhada, o sol é quente, a grama é verde e a Educação de São Paulo continua a mesma, embora sob completa nova direção.
O Barão de Taubaté, ou melhor, o Sr.  José Bernardo Ortiz Monteiro é o presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) desde sua nomeação pelo Governador Geraldo Alckmin, em janeiro deste ano.
Pois não é que depois de ferrenha labuta nas negociações, Ortiz acatou ordem superior e assinou milhares de exemplares de jornais e revistas do PIG (Proba Imprensa Gloriosa) – para as melhores escolas públicas do mundo, cujos professores são também os mais bem remunerados do planeta? Sim. Exatamente como fizeram seus antecessores, o ex-governador José Serra e o finado Paulo Renato Costa Souza, ex-secretário de Educação de SP, o Barão de Taubaté fechou com a Folha de SP, Estadão, Veja, IstoÉ e Época. Tudo, como sempre, sem licitação.
Desnecessário dizer que, mais uma vez, a CartaCapital não aparece no rol dos favorecidos.
Eis os contratos, datas e seus valores, de acordo com o Diário Oficial:
27/julho/2011 – Época
- Contrato: 15/00628/11/04
- Empresa: Editora Globo S/A
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da “Revista Época” – 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 1.203.280,00
- Data de Assinatura: 26/07/2011
(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
29/julho/2011 – Isto É
- Contrato: 15/00627/11/04
- Empresa: Editora Brasil 21 LTDA
- Objeto: Aquisição pela FDE, de 5.200 (cinco mil duzentas) assinaturas da “Revista Isto É”, 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.
- Prazo: 365 dias
- Valor: 1.338.480,00
- Data de Assinatura: 25/07/2011.
(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
3/agosto/2011 – Veja
- Contrato: 15/00626/11/04
- Empresa: Editora Abril S/A
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas da “Revista Veja”, 52 Edições, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo
- Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 1.203.280,00
- Data de Assinatura: 01/08/2011.
(*Primeiro comunicado no DO em 12/julho/2011)
6/agosto/2011 – Folha
- Contrato: 15/00625/11/04
- Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 (cinco mil e duzentas) assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 2.581.280,00
- Data de Assinatura: 01/08/2011.
(*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)
17/agosto/2011 – Estadão
- Contrato: 15/00624/11/04
- Empresa: S/A. O Estado de São Paulo
- Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “O Estado de São Paulo”, destinados às escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – Projeto Salas de Leitura.
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 2.748.616,00
- Data de Assinatura: 01-08-2011.
(*Primeiro comunicado no DO em 23/julho/2011)
Total: R$ 9.074.936,00.
Você pode comparar os valores e quantidades dos anos anteriores nas tabelas deste texto.
Extenuado de tanto firmar tão bons acordos pedagógicos, o presidente da FDE, José Bernardo Ortiz Monteiro, como faz qualquer funcionário público, foi ter uns dias de férias lá na Europa.
Oh là là!
Alvíssaras, confrades.
PS – Agradeço ao gentil comentarista desta casa, em texto sobre os contratos do Estado (leia-se José Serra via Prodesp) com a empresa de escutas/grampos e que tais, Fence Consultoria, que escreveu o seguinte:

“Para achar coisa do PSDB é uma aranha, mas contra o petismo é mosca morta”
A ele nossa inteira concordância. Há mesmo seres mutantes em todas as esferas. Por exemplo, caro comentarista: por vezes sois uma araponga, mas em outras também um tucano.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/namarianews-alckmin-gasta-9-milhoes-pela-fidelidade-da-pig.html

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mayana Zatz: É ético selecionar embriões de um determinado sexo?

por Conceição Lemes
Conheci a geneticista, professora e cientista Mayana Zatz em 1986. Eu era editora-assistente da revista Saúde e Judith Patarra,chefe de redação e grande mestra, incumbiu-me de fazer uma reportagem sobre o que um casal pode fazer para ter um bebê saudável; entre as fontes, sugeriu-me Mayana.
Entrevistei-a no prédio da Biologia da USP, à rua do Matão, Cidade Universitária. Logo percebi nela dois diferenciais. A capacidade de traduzir em linguagem acessível, com imagens do cotidiano, conceitos dificílimos de genética. Coisa de craque, que poucas vezes vi em quase 30 anos como repórter da área de saúde. Também me chamou a atenção a enorme preocupação com as questões éticas. Guardei o seu nome na minha lista de fontes excelentes, nunca mais saiu daí.
De lá para cá, nos reencontramos muitas vezes. Duas ocasiões são particularmente marcantes até hoje.
A primeira, por conta de uma investigação que fiz durante quase um ano sobre um tratamento fajuto para distrofia muscular de Duchenne (doença genética, incurável e que afeta apenas meninos, degenerando todos os músculos). A terapia chamava-se transplantes de mioblastos, havia sido desenvolvida por um médico chinês radicado nos EUA, tinha um braço brasileiro e custava US$150 mil por paciente.
Com a ajuda científica de Mayana, desmascaramos esse esquema, que lesava os cofres públicos (várias famílias ingressaram com ação na Justiça para o SUS pagar), as famílias (vendiam tudo o que tinham para bancar o tratamento) e, principalmente, ludibriava a esperança de pais, mães  e crianças.  Sob o título “Médicos tornam doença caso de polícia”, a reportagem foi publicada em julho de 2002, no extinto site NoMínimo.
A segunda ocasião inesquecível foi em 2007. Por placar estrondoso, o Congresso Nacional havia aprovado a lei que autorizava a realização no país de pesquisa com células-tronco embrionárias. O presidente Luís Inácio Lula da Silva rapidamente a sancionou. Só que ela parou no Supremo Tribunal Federal (STF) porque o então subprocurador-geral da República, Cláudio Fonteles, alegou que era inconstitucional. Questionado sobre se sua ação não teria motivação religiosa, o franciscano Fonteles acusou Mayana Zatz de viés judaico.
Em entrevista à Folha de S. Paulo Fonteles disse: “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato. Na religião judaica, a vida começa com o nascimento do ser vivo. Então, ao defender a posição dela, ela defende a posição religiosa dela, que é judia e que a gente tem de respeitar”.
Totalmente improcedente essa declaração. Para agravar, um silêncio profundo se seguiu, inclusive nos meios acadêmicos. Nenhum desagravo. Indignei-me mais ainda. Na condição de cidadã, resolvi redigir um  texto, repudiando a desesperada manobra para desviar o foco do debate. E de apoio à Mayana, já que a sua batalha pela vida era também de todos nós.
O texto acabou virando uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF): Células tronco-embrionárias. Direito à esperança de cura e à liberdade de pesquisa, sim. Ao obscurantismo, não.
Embora até então eu nunca tivesse tido qualquer  contato com o jornalista Luiz Carlos Azenha, o Viomundo foi o primeiro veículo a publicar a petição, com este destaque no título:  Eu apóio. Mayana e eu vibramos. Foi muito importante.  Ao final, conseguimos 48 mil assinaturas. A petição foi usada pela defesa no julgamento do STF.
Portanto, é com alegria imensa que saúdo o lançamento do novo livro de Mayana: “GenÉtica: Escolhas que nossos avós não faziam”. Fala muito mais sobre ética do que de genes.
“Há algumas dezenas de anos, quando me apaixonei pela genética, pouca gente sabia o significado dessa palavra. Naquela época poucos se davam conta que esse ramo da biologia estava destinado a se tornar tão vital com tantas aplicações na vida humana”, observa Mayana. “Hoje, mesmo quem não está familiarizado com as técnicas por trás desses avanços, sabe o quanto eles são importantes até por meio de filmes, livros e novelas de TV. Mas não é o bastante. A genética não envolve apenas ciência e técnica, mas dramas humanos, filosóficos, éticos e morais.”
“Com o desenvolvimento de novas  tecnologias e a possibilidade de analisar o nosso genoma a um custo cada vez mais acessível, novas questões inesperadas tomam corpo a cada dia”, continua Mayana. “Os dilemas e questionamentos éticos, que no início eram restritos a famílias com afetados por doenças genéticas, estão tomando proporções maiores.”
Por exemplo, é ético selecionar embriões de um determinado sexo? Ou para tentar salvar um irmão afetado por uma doença letal, os chamados ‘irmãos salvadores’? E se no futuro essa tecnologia for usada para escolher embriões com determinadas características, tais como cor de olhos, estatura, habilidade para esportes ou outros motivos fúteis? Não se trata de uma nova eugenia?
“Testes de DNA já estão sendo oferecidos em farmácias”, revela Mayana. “Alguns variantes de genes são totalmente fúteis, como o da cera úmida ou seca no ouvido ou a capacidade ou o de não de sentir alguns odores. Mas e os testes que prometem determinar se temos risco aumentado para algumas doenças como câncer, mal de Alzheimer ou outros problemas genéticos? Saber desses riscos vai nos ajudar ou simplesmente nos angustiar? Não estamos contribuindo para aumentar o número de hipocondríacos? E o mais importante: quem irá interpretar os resultados?”
Baseado em  histórias reais, o livro “GenÉtica” mostra alguns dos muitos conflitos a que Mayana foi exposta ao longo dos últimos anos.
“Não existe regra de conduta. Cada caso é um caso”, avisa Mayana. “Não tenho respostas para a maioria deles,  mas convido o leitor a refletir junto e a se posicionar ou a concluir quão difícil isso pode ser em algumas situações. Afinal, cabe à sociedade discutir, refletir e decidir: O que é ético? Quais são os limites? Estamos  preparados para lidar com a avalanche desses novos conhecimentos?”
O livro de Mayana é dedicado à geração que nasceu ou vai nascer nesta era revolucionária da genética. É também um livro para profissionais – geneticistas, médicos, pesquisadores, psicanalistas, antropólogos, advogados, juízes – que certamente se confrontarão com decisões difíceis na intersecção entre os avanços da genética e da tecnologia reprodutiva e os dramas pessoais das famílias daqueles afetados por doenças com essa origem.
É igualmente um livro dedicado às inúmeras pessoas que, felizmente, não tiveram contato direto com esses dramas, mas pertencem a uma sociedade que tem a oportunidade de discutir, refletir e de se posicionar acerca das implicações dos avanços científicos.
Pelo que presenciei, li e ouvi de Mayana ao longo dos últimos 25 anos, “GenÉtica” é um livro que vale a  pena ler. As questões éticas abordadas me interessam demais.
O lançamento será nesta terça-feira, das 19h às 21h30, na Livraria Cultura do Shopping Villa- Lobos, à avenida das Nações Unidas, 4777.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mayana-zatz-e-etico-selecionar-embrioes-de-um-determinado-sexo.html

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A participação popular em BH

Esta semana, no dia 05/09 segunda-feira, a prefeitura de Belo Horizonte convidou as lideranças comunitárias, religiosas e empresariais da Regional Noroeste para o lançamento na região do chamado Planejamento Participativo Regionalizado. A proposta segundo a PBH é: “ampliar, aperfeiçoar e fortalecer a participação popular, visando construir a cidade que queremos... ... desenvolver um processo que irá possibilitar aos cidadãos contribuir  para o planejamento das ações de governo...”.
A sistemática da reunião foi na alternância da apresentação das propostas e intervenções da plenária e apresentação teatral.
Já na abertura da reunião ficou explícito para os participantes uma das debilidades da prefeitura: a comunicação entre as diversas secretarias e órgãos. Há muito tempo a PBH em suas reuniões com as comunidades sempre coloca uma palavrinha nova, a tal "intersetorialidade", que seria a comunicação, a formação da "rede" entre os diversos setores da PBH e espaços de atuação nas comunidades. Mas isso só fica na teoria, a prática é diferente. Na abertura o expectador mais atento percebia a falta de sintonia com relação a condução da reunião entre o gestor Regional e a Secretaria Municipal, a ponto do condutor da reunião errar o nome do Secretário da regional e após as desculpas confessar que não o conhecia.
Após as apresentações foi exibido um vídeo, na qual o apresentador diz que seria a história do Orçamento Participativo na capital, aonde um narrador vai explanando sobre as diversas obras e em dado momento diz que o OP se iniciou em “1984”; essa foi mais uma prova que este governo está intimamente ligado ao tucanato local, pois para ele o OP não se iniciou em 1993 com Patrus e o Dr. Célio, mas em 1984.
Mais a frente, as datas entraram em contradição, na apresentação da peça teatral em alusão ao evento, aonde os artistas em uma fala disseram que “o OP existe há quase 20 anos em BH...”.
Não é de se estranhar essas “trombadas” e contradições neste balaio de gatos e cachorros que é o governo Lacerda.
Nas intervenções da plenária, ficou claro que as lideranças não estão satisfeitas com a participação popular em BH. Cobraram dos secretários os atrasos nas obras, a falta de discussão com a comunidade no encaminhamento dos projetos, e a desconfiança na implantação deste novo programa com o governo encaminhando para o seu último ano do seu mandato.
As pessoas ficaram se perguntando o porquê de um novo programa com as finalidades quase idênticas ao do orçamento participativo, não seria melhor reestruturar o OP? A PBH sempre afirmou às lideranças que o OP, além de aprovar obras, é um grande instrumento de planejamento?
A chamada PPP da saúde também não saiu ilesa do debate. Vários participantes da plenária que usaram da palavra contestaram este instrumento, que na opinião de muitos prejudicará em muito a saúde em BH. A PBH neste assunto não quis debater alegando que o assunto não era tema da reunião. Apesar que na apresentação foram mostradas várias obras em postos de saúde que, segundo a PBH seriam realizadas através das PPPs.
Outra polêmica que causou “saia justa” foi a cobrança por parte das lideranças, da obra do OP Digital vencedora na Noroeste e que até hoje não saiu do papel, a trincheira da Praça São Vicente. Ora, a secretária da Gestão Compartilhada Madalena Franco praticamente jogou a culpa pela não realização da obra até hoje, no governo da presidenta Dilma, alegando que o trecho é de responsabilidade federal por causa do viaduto do Anel Rodoviário. Ela se esqueceu que a maioria dos presentes são lideranças experientes e calejadas no movimento e que este assunto já foi tema de debate várias vezes, e sempre que a PBH é cobrada pela obra da Praça São Vicente, em várias ocasiões seu argumento tem sido o que esperará a revitalização do Anel e da duplicação do viaduto para fazer a trincheira. Ou seja, não tem nada a ver se a obra do Anel é federal, o que a prefeitura quer é uma possível “carona” nas obras do Anel Rodoviário para economizar recursos.
Mas as lideranças dizem que estão atentas, pois foi aprovado um grande recurso no OP Digital, se a PBH não gastá-lo na trincheira da São Vicente, se o governo federal executar a obra como parte da revitalização do Anel, as lideranças podem e devem reivindicar a aplicação dos recursos conseguidos no OP Digital para outra obra.
No final ficou a impressão que existe muito marketing e blá-blá-blá, mas o que falta são ações concretas para as resoluções dos problemas e no real aprofundamento da participação popular.

Por Marco Aurélio Rocha

Longe da violência, dom Paulo Evaristo Arns tem história de luta pelo povo

Ao aproximar-se dos 90 anos de vida dedicada ao povo e ao país, religioso dedica-se à reflexão

Por: Virginia Toledo e João Peres, da Rede Brasil Atual
Publicado em 08/09/2011, 18:25
Última atualização às 18:45

Dom Paulo recusa-se a participar de eventos e solenidades públicas, inclusive aquelas em que é o próprio homenageado (Foto: Luciney Martins/CNBB Divulgação)

São Paulo - De fala mansa e andar calmo, dom Paulo Evaristo Arns aproxima-se dos 90 anos de seu modo.  "É uma pessoa que sabe acolher, que sabe agradecer. E não tem aquelas exigências que muitas vezes a gente vê nos idosos", confidencia, com um riso discreto, irmã Devanir de Jesus, uma das pessoas escolhidas por dom Paulo para falar em seu nome.

Ele recusa-se a participar de eventos e solenidades públicas, inclusive aquelas em que é o próprio homenageado. De uns anos para cá, o cardeal optou pela vida reclusa numa congregação franciscana em Taboão da Serra (SP), região metropolitana da capital. Por muito tempo dedicou sua vida ao povo. Agora, dedica-se a Deus.

Dom Paulo, 90 anos

A Rede Brasil Atual apresenta uma série de reportagens sobre a atuação de Dom Paulo Evaristo Arns às vésperas de ele completar 90 anos de vida, no dia 14 de setembro de 2011.
O perfil do cardeal arcebispo será tema de reportagem da edição de setembro da Revista do Brasil.

Confira a série
Paulo Evaristo Arns vestiu seu primeiro sapato aos oito anos especialmente para assistir às orações na capela da colônia, a cidade de Forquilinha (SC). A expectativa das idas à capela tomava conta do menino que sempre reconheceu e estampou em sua missão a herança deixada pelos pais. A fé de sua mãe e o espírito humanista do pai. Dom Paulo reconheceu que a família havia lhe transmitido não somente a beleza de viver, mas, o fez entender que sua vida só se encheu de sentido por ter escolhido tal profissão.
O menino Paulo dizia não entender quando seu pai, Gabriel, lhe falava que se vê Deus e seus amigos apenas quando se gosta deles. "E é o coração quem vê". Do carinho do pai, o cardeal afirma ter aprendido que a fé se aprende pelo amor. Devoto de São Francisco de Assis, dom Paulo resumiu sua vida nos ensinamentos do santo: o amor fraterno e a convivência pacífica. E pacífico foi o que mais representou o trabalho do arcebispo quando esteve à frente de tudo que lhe foi designado. A arquidiciosese, as pastorais, a Comissão pela Justiça e Paz e, não menos importante, a luta pela não violência nas formas de combate aos anos de chumbo da ditadura militar no Brasil.
Ordenado sacerdote em 1945, o franciscano Paulo Evaristo desembarcaria em solo francês dois anos mais tarde para estudar em uma das mais importantes faculdade do mundo, a Sorbonne, em Paris. A vida na Europa, além do título de doutor, rendeu-lhe outras bagagens. A experiência e o convívio com o cenário pós-Segunda Guerra Mundial reforçou no jovem sacerdote a ânsia de lutar, ao regressar ao Brasil, contra as agruras da miséria e da opressão.
Os 28 anos que dom Paulo passou à frente da Arquidiocese de São Paulo tornaram-no símbolo da defesa do povo e dos trabalhadores. "Na igreja ele se destacou pela opção pelos pobres, pela 'operação periferia' que ele fez, e o trabalho de levar a Igreja a todos os lugares", afirma dom Pedro Stringhini, bispo de Franca e amigo pessoal do arcebispo. "Na sociedade, a luta pelos direitos humanos, pelo trabalhador e pela liberdade democrática. Dom Paulo deu a vida por todo brasileiro. Esse foi dom Paulo", emociona-se.
"Tudo o que a gente fazia era com o apoio de Dom Paulo. Era o pastor geral. Dava todo o acompanhamento. Era nosso pai, nosso irmão, nosso amigo, nosso confessor. Dom Paulo não defendia a pessoa porque era católica. Ele era aquele que ia livrar qualquer operário, e que sempre estava lá na defesa dos direitos humanos", enfatiza Ana Dias, viúva de Santo Dias da Silva, operário que morreu baleado pela Polícia Militar em 1979. O trabalhador também participava da Pastoral Operária, uma das lutas de dom Paulo.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/09/dom-paulo-evaristo-arns-a-voz-pacifica-daquele-que-longe-da-violencia-lutou-pelo-povo